É possível usar a escrita criativa com inteligência artificial para escrever livros de verdade? Essa foi a pergunta que abriu a primeira edição da Live Escrita Criativa com IA da Editora Solano, conduzida pelo escritor Solano Aquino com Mateus Alves, professor e especialista em inteligência artificial.
A resposta é sim, e vai além do que muitos imaginam. Hoje, um autor pode usar a IA generativa para criar personagens, estruturar capítulos, pesquisar cenários históricos, revisar textos, organizar a estrutura narrativa e vencer bloqueios criativos. Neste artigo, reunimos o que foi discutido na live e ampliamos os pontos essenciais para quem quer começar.
O Que é Escrita Criativa com Inteligência Artificial
A escrita criativa com inteligência artificial é o uso de ferramentas de IA generativa, como ChatGPT, Gemini e Claude, como parceiras do processo de criação literária. Isso vale para romance, ficção, não ficção, contos, e-books e até roteiros.
Dessa maneira, a ideia central, defendida por Solano Aquino na live, é que a IA funciona como instrumento do escritor, nunca como substituta: quem decide, julga e dá o olhar sensível ao texto continua sendo o autor.

Essas ferramentas funcionam com base em LLMs, os grandes modelos de linguagem.
Como explicou Mateus Alves, são sistemas treinados com volumes imensos de texto, capazes de pesquisar, resumir, redigir e dialogar a partir de comandos escritos, os chamados prompts. Logo, dominar a forma de escrever esses comandos é o que se chama de engenharia de prompts, uma das especialidades da equipe da Editora Solano.
Como funciona a escrita criativa com inteligência artificial na prática
Mateus abriu a conversa desmistificando o tema. A IA que usamos hoje é a chamada inteligência artificial estreita: sistemas matemáticos e estatísticos criados para tarefas específicas. Nada de robôs dominando o mundo.

Aliás, cerca de 93% dos brasileiros já usam IA sem perceber, no aplicativo de mapas, nas recomendações do iFood e no filtro de spam do e-mail.
Na escrita assistida por IA, então, esse mesmo princípio de predição vira ferramenta de trabalho. Na prática, o escritor pode:
- pesquisar fatos, épocas e cenários para dar verossimilhança à narrativa;
- desenvolver fichas de criação de personagens com histórico, motivação e voz própria;
- testar diferentes estruturas narrativas antes de escrever;
- pedir revisão textual de gramática, ritmo e coerência;
- destravar o bloqueio criativo gerando variações de uma cena ou abertura de capítulo.
Ferramentas para Escrita Criativa com Inteligência Artificial
Na live, Mateus Alves comparou as três principais plataformas do mercado e explicou a vocação de cada uma. A recomendação da editora é combiná-las conforme a etapa do trabalho.
Gemini: pesquisa profunda para a criação literária
O Gemini é a IA do Google e se destaca pela integração com o buscador e com o YouTube. Um exemplo prático citado na live: imagine que você está escrevendo um romance histórico e encontra documentários e depoimentos antigos no YouTube.
Melhor ainda, o Gemini consegue transcrever esses vídeos e transformá-los em base de pesquisa para o seu livro. Para quem está começando, o plano gratuito já entrega bons resultados iniciais, e basta ter uma conta Google.
Claude: fôlego para romances e textos longos
O Claude é a ferramenta preferida para textos e contextos extensos, porque mantém a memória da conversa com mais consistência.
Imagine um romance de 300 páginas: você pode enviar os cinco primeiros capítulos ao Claude e pedir que ele aponte inconsistências na personalidade do protagonista, verifique a linha do tempo ou sugira onde a tensão narrativa cai. Sendo assim, é esse fôlego que o torna adequado para acompanhar um livro do início ao fim.
ChatGPT: organização de ideias e versatilidade
O ChatGPT é forte na organização de ideias e no planejamento. Funciona bem para transformar um caderno de anotações soltas em escaleta de capítulos, gerar sinopses de teste, criar variações de título e estruturar projetos de não ficção.
Também trabalha com contextos amplos e pesquisa, sendo o concorrente direto do Claude no dia a dia da produção de livros.
A Inteligência Artificial Substitui Escritores?
Essa foi a pergunta mais polêmica da live, e a resposta de Mateus Alves é direta: a IA não vai tomar o lugar de nenhum escritor, mas escritores que dominam a IA tendem a ocupar o espaço de quem a ignora.
A vantagem é cumulativa. Por isso, quem começa hoje aprende a formular bons prompts, a avaliar resultados e a integrar a ferramenta ao próprio fluxo criativo antes dos demais.
Solano Aquino reforçou o ponto com a própria trajetória. Há vinte anos, seus trabalhos acadêmicos passavam pelas mãos de um datilógrafo contratado. Sendo assim, para alcançar a fluência em inglês, criou um método pessoal de escuta acelerada e prática diária.
Na formação em psicanálise, releu Freud por audiobooks e transformou resumos em aulas. Quando a inteligência artificial chegou, todo esse repertório foi potencializado. Portanto, a lição vale para qualquer autor: a IA multiplica quem já tem método, propósito e repertório. Ela não cria isso por ninguém.
Vantagens da escrita criativa com inteligência artificial
Reunindo o que foi apresentado na transmissão, os principais ganhos para o autor são:
- Produtividade: pesquisa que levaria semanas se resolve em horas;
- Qualidade em quantidade: mais versões, mais testes, mais material para escolher;
- Storytelling mais sólido: estrutura narrativa planejada antes da escrita;
- Revisão contínua: o texto passa por leituras críticas a cada etapa;
- Fim da página em branco: o bloqueio criativo perde força quando há sempre um ponto de partida.
Como Começar na Escrita Criativa com Inteligência Artificial?
O caminho sugerido na live é simples. Escolha uma ferramenta gratuita para experimentar, como o Gemini, e aplique em um projeto real: um conto, um capítulo, um e-book.
Aprenda o básico de engenharia de prompts, dando contexto, papel e objetivo claro a cada comando. Além disso, lembre-se do princípio que fecha a transmissão: a produção de conteúdo que realmente serve ao ser humano precisa de um olhar humano e sensível. A máquina não forma pares; pessoas formam.
É exatamente esse o propósito da Editora Solano: formar escritores.
Para compreender melhor sobre a escrita criativa e os desafios e oportunidades que ela encontra com a Inteligência Artificial, confira o vídeo:
A série de lives Escrita Criativa com IA continuará com o professor Fábio, gerente da editora, apresentando o método desenvolvido para a escrita criativa e os bastidores da engenharia de prompts aplicada à literatura.
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