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LITERATURA . PENSAMENTO . LEGADO

Como as redes sociais ajudam a descobrir novos livros

No Dia Nacional do Livro, reportagem do Jornal da Fonte ouviu a Editora Solano sobre o papel das plataformas digitais na aproximação entre livros e leitores.

Equipe de apoio editorial

Uma recomendação no Instagram, um vídeo sobre um clássico ou a opinião de alguém que acabou de ler uma obra podem despertar o interesse pela próxima leitura. Esse foi o tema da reportagem do Jornal da Fonte sobre o Dia Nacional do Livro, celebrado em 29 de outubro. Produzida por Andreia Nikely, jornalista em Goiânia, a matéria reuniu dados sobre os hábitos dos brasileiros e exemplos de como as redes sociais participam da descoberta de livros.

Entre os entrevistados, Mateus Alves, sócio da Editora Solano, destacou o potencial dessas plataformas para o mercado editorial. Ao comentar o crescimento dos perfis dedicados a recomendações literárias, especialmente no Instagram, afirmou: “nós acreditamos muito nessas redes sociais”. Para ele, as iniciativas que apresentam livros e novas leituras são estratégias interessantes, que vem acompanhando de perto.

O desafio de conquistar leitores

A discussão acontece em um cenário que exige atenção. A edição de 2024 da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro e aplicada pelo Ipec, identificou que 47% da população brasileira com cinco anos ou mais era leitora. Na comparação com 2019, a redução foi de aproximadamente 6,7 milhões de leitores.

O levantamento considera leitor quem leu ao menos um livro, inteiro ou em partes, nos três meses anteriores à pesquisa. A definição ajuda a compreender o alcance do dado: o desafio envolve criar condições para que a leitura esteja presente na vida cotidiana, para além do contato ocasional com uma obra.

Nesse contexto, as indicações que circulam nas redes oferecem oportunidades de encontro entre o público e os livros. Elas apresentam títulos, compartilham impressões e levam a conversa sobre literatura a espaços que também são frequentados por quem acompanha esportes, entretenimento e outros assuntos.

Da recomendação ao interesse pela obra

A reportagem apresentou resultados de uma pesquisa da Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box. No levantamento, 51% dos entrevistados disseram descobrir novos livros pelas redes sociais. As indicações de amigos e familiares apareceram com 43%, enquanto sites, blogs e newsletters foram mencionados por 27%.

A influência também aparece nas decisões de compra: 72% dos consumidores disseram já ter comprado um livro depois de uma recomendação nas redes. Ainda segundo o levantamento, 64% adicionaram títulos à lista de desejos e 45% passaram a seguir autores ou editoras após consumir esse tipo de conteúdo.

Esses comportamentos mostram que o contato com uma indicação pode continuar depois da publicação. O leitor pode guardar o título para outro momento ou passar a acompanhar quem escreve e publica os livros. Para o setor editorial, isso abre possibilidades de relacionamento que vão além de apresentar um lançamento.

A literatura em outras conversas

Um dos exemplos destacados pelo Jornal da Fonte foi o jogador Gustavo Scarpa, que compartilha suas impressões de leitura nas redes sociais. No trecho exibido, ele comenta A morte de Ivan Ilitch, de Lev Tolstói. A presença de um jogador nessa conversa mostra como a literatura pode circular entre públicos com interesses diversos.

A matéria também mencionou o reconhecimento desse trabalho pelo Prêmio Jabuti. Na 68ª edição, Pedro Pacífico, responsável pelo Bookster, venceu a categoria Incentivo à Leitura – Cultura Digital. O troféu foi entregue por Scarpa. A premiação reconhece iniciativas que promovem os livros e a formação de leitores nos ambientes digitais.

A descoberta digital e a leitura no papel

O crescimento das recomendações online convive com a preferência pelo exemplar impresso. Segundo a pesquisa da Serasa citada na reportagem, o livro físico foi a principal escolha de 73% dos entrevistados.

A descoberta pode começar na tela e continuar nas páginas de um livro. No Dia Nacional do Livro, a reportagem chama a atenção para esse percurso e para a contribuição de quem compartilha leituras. Aproximar novas pessoas das obras continua sendo um desafio para autores, editoras e todos os que trabalham com o livro.

Créditos: artigo adaptado da reportagem do Jornal da Fonte sobre o Dia Nacional do Livro, com participação de Mateus Alves, sócio da Editora Solano.

Reportagem: Andreia Nikely.

Edição: Hitalo Queiroz.

Assista à reportagem na íntegra.